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Palavra do Presidente

Respeitar a data-base é respeitar o trabalhador

Neste artigo, Silvio Ferreira, secretário-geral e presidente em exercício do Sindicato, analisa como as escolhas políticas também influenciam salários, direitos e condições de trabalho.

Silvio Ferreira/Presidente Smetal
Mattheus da Silva/Imprensa SMetal

Silvio Ferreira, secretário-geral e presidente em exercício

Mais uma campanha salarial movimenta o cenário de negociação dos metalúrgicos de Sorocaba e região, junto com ela, temos mais um motivo para comemorar. As conquistas alcançadas pela nossa categoria são resultado de organização, mobilização e, principalmente, da capacidade de negociação construída pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região em conjunto com a Federação Estadual dos Metalúrgicos (FEM/CUT-SP).

Em um cenário em que direitos são constantemente questionados e em que muitos ainda tentam colocar sobre os trabalhadores o peso das “dificuldades econômicas”, garantir reajuste e avanços nas negociações não é algo automático. Se não houvesse sindicato organizado e trabalhadores dispostos a participar e pressionar, sequer poderíamos imaginar qual seria o resultado desta campanha salarial.

E essa luta não acontece apenas dentro das fábricas. Ela também precisa estar presente nos espaços onde as decisões que afetam a vida dos trabalhadores são tomadas. Ter representantes da classe trabalhadora nas mesas de negociação é fundamental. Mas também é fundamental ter trabalhadores e trabalhadoras representados no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas e nas câmaras municipais.

A discussão sobre o fim da escala 6×1 deixa isso ainda mais evidente. A proposta que reduz a jornada para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso avançou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e agora precisa ser votada pelo Plenário. Para chegar até aqui, foi necessária muita pressão e mobilização. E, para avançar, precisaremos de parlamentares comprometidos com essa pauta.

É justamente por isso que precisamos olhar para a política também como um espaço de disputa pelos direitos da classe trabalhadora. Quando não estamos representados, outras pessoas decidem por nós. E, muitas vezes, decidem contra nós.

Na campanha salarial, mais uma vez, mostramos que organização faz diferença. Na luta pelo fim da 6×1, também será assim. Na fábrica, na mesa de negociação, no Congresso e, principalmente, na Assembleia Legislativa de São Paulo, precisamos ocupar espaços e ampliar a nossa representação.

Somos muito mais que um Sindicato, e por isso, toda conquista tem uma história de luta por trás. E o tamanho das nossas conquistas continuará sendo proporcional ao tamanho da nossa organização, da nossa mobilização e da nossa capacidade de ocupar todos os espaços onde o futuro dos trabalhadores é decidido.

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