
José Genoino participa de atividade de planejamento com dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região
A direção do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região participou, nesta quarta-feira, dia 12, de um momento de planejamento e reflexão sobre os caminhos do movimento sindical diante das transformações políticas, econômicas e sociais do país. O encontro contou com a participação de José Genoino, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores e ex-deputado federal, que trouxe uma análise histórica sobre as lutas sociais e os desafios colocados para a organização dos trabalhadores.
Ao longo da conversa, Genoino destacou que muitas das conquistas que hoje fazem parte da sociedade foram, em diferentes momentos da história, consideradas inviáveis ou impossíveis. Como exemplos, citou as lutas da população negra, pelo direito ao voto feminino e outras conquistas sociais construídas a partir da mobilização coletiva, muitas delas com participação direta do movimento sindical.
“A razão da minha vida é lutar por causas e não por coisas”, afirmou Genoino, ao defender que a atuação sindical precisa estar conectada a projetos coletivos e à construção de direitos.
Entre os temas debatidos esteve também o fim da escala 6×1, pauta que atualmente enfrenta forte disputa política no Congresso Nacional. Para Genoino, a história demonstra que mudanças estruturais dependem de organização, mobilização e capacidade de transformar reivindicações sociais em pautas políticas.
Sindicato como espaço de construção da cidadania
Outro eixo central do encontro foi o papel do movimento sindical para além da negociação direta das relações de trabalho. A discussão destacou a importância histórica dos sindicatos na construção da cidadania e na formação política dos trabalhadores.
A experiência do sindicalismo nas décadas de 1970 e 1980 foi lembrada como exemplo de organização coletiva capaz de criar uma verdadeira rede de comunicação com a base, abordando a relação entre direitos trabalhistas e cidadania social.
A avaliação apresentada foi de que a precarização das relações de trabalho não produz apenas efeitos econômicos: ela também fragiliza vínculos coletivos e a própria capacidade de organização da sociedade.
“Se os direitos são precarizados, os trabalhadores são precarizados. A precarização geral é a base do neofascismo e o risco disso é que as pessoas perdem a confiança no coletivo, o que impacta os sindicatos e até mesmo a representação do povo nos espaços políticos”, afirmou Genoino.
Novas formas de precarização
Durante o encontro, Genoino também criticou o avanço da pejotização das relações de trabalho, apontada como uma forma de enfraquecimento da proteção trabalhista e de transferência de responsabilidades para o trabalhador.
Para a direção do Sindicato, o encontro reforçou a necessidade de compreender o movimento sindical dentro de um cenário mais amplo. Os desafios colocados atualmente não dizem respeito apenas às campanhas salariais ou às negociações nas fábricas, mas também à defesa da democracia, da cidadania, dos direitos sociais e da capacidade dos trabalhadores de participar da construção dos rumos da sociedade.
Para Silvio Ferreira, secretário-geral e presidente interino do Sindicato, a reflexão proposta durante o planejamento parte, portanto, de uma perspectiva histórica.
“Direitos não são concessões naturais, mas resultado de organização, mobilização e disputa coletiva. E, diante das transformações no mundo do trabalho e do cenário político, o movimento sindical é chamado novamente a pensar quais causas precisam ser defendidas e quais caminhos devem ser construídos para o futuro”, afirmou
Em prática
No período da tarde, os dirigentes do Sindicato participaram de atividades em grupo como parte do processo de planejamento da gestão 2025–2029. A proposta foi estimular a participação coletiva e reunir diferentes olhares sobre os desafios enfrentados pela categoria e pelo movimento sindical.
Divididos em grupos, os dirigentes discutiram prioridades, apresentaram propostas e levantaram pautas que poderão orientar a atuação do Sindicato nos próximos anos. A dinâmica buscou transformar as reflexões do encontro em ações concretas, fortalecendo a construção coletiva do planejamento e definindo caminhos para os próximos quatro anos de gestão.
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