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Saúde pública

Vereador Izídio aciona Ministério Público após Prefeitura confirmar crise na oftalmologia em Sorocaba

Representação do vereador Izídio de Brito ao MP aponta mais de 15 mil procedimentos em oftalmologia e ausência de plano para reduzir fila.

Imprensa/Smetal
assessoria de imprensa

Vereador Izídio de Brito durante atuação parlamentar na Sorocaba

O vereador Izídio de Brito (PT) protocolou uma representação junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) após receber resposta oficial da Prefeitura que confirma um cenário preocupante na oferta de serviços de oftalmologia no município. A iniciativa tem como base o Requerimento nº1070/2026, apresentado pelo parlamentar em 24 de abril. No texto, Izídio solicitou informações sobre a fila de espera, oferta de serviços, execução financeira e contratos na área. A resposta, encaminhada em 26 de maio, revelou a existência de 15.613 demandas oftalmológicas reprimidas na cidade.

A maior demanda está concentrada nos procedimentos de retina, que somam 4.114 pacientes em espera, enquanto a fila de catarata registra 3.861 casos. Apesar disso, os contratos informados pela Prefeitura priorizam cirurgias de catarata e ações de triagem. Outro ponto de preocupação é o tempo de espera. Há registros de pacientes aguardando desde 2014 por cirurgias.Na resposta, a Prefeitura também não apresentou prazo para redução da fila, atribuindo a insuficiência de vagas à dependência da oferta estadual.

Para Izídio, a justificativa é insuficiente. “O SUS é tripartite, com responsabilidades compartilhadas entre União, Estado e Município. A Prefeitura não pode se eximir de apresentar uma política permanente para enfrentar esse problema”, pontua.

A própria resposta também indica que parte dos contratos firmados foi viabilizada por meio de emendas parlamentares, o que levanta questionamentos sobre a sustentabilidade das ações a longo prazo, na ausência desses recursos.Os números apresentados demonstram um descompasso entre demanda e capacidade de atendimento. No caso da catarata, por exemplo, há 3.861 pacientes na fila, enquanto o contrato prevê apenas 98 cirurgias em quatro meses, ritmo que levaria mais de uma década para zerar a fila, desconsiderando novos casos.

Diante desse cenário, a representação encaminhada ao Ministério Público solicita a instauração de inquérito civil para apurar a ausência de vagas, a precariedade na oferta de serviços, possíveis irregularidades na execução financeira e nos contratos, além da falta de planejamento estrutural para enfrentamento da fila oftalmológica em Sorocaba.

“O que temos é uma crise instalada, reconhecida pela própria Prefeitura. Agora, é fundamental que os órgãos de controle atuem para garantir transparência e dignidade à população”, conclui o vereador.

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