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Sorocaba

Prefeito não cumpre promessa feita sobre UPHs e PA

Durante a campanha eleitoral, José Crespo (DEM) prometeu que, se eleito, uma semana depois de tomar posse, todas as Unidades Pré-Hospitalares (UPHs) de Sorocaba atenderiam todas as faixas etárias

Jornal Cruzeiro do Sul / Larissa Pessoa
ERICK PINHEIRO / JCS

Durante o período de campanha eleitoral no ano passado, o então candidato a prefeito José Crespo (DEM) prometeu que, caso fosse eleito, no prazo de uma semana depois de tomar posse todas as Unidades Pré-Hospitalares (UPHs) de Sorocaba atenderiam todas as faixas etárias. Porém, após 16 dias do governo Crespo, sendo 11 dias úteis, os atendimentos seguem da mesma forma, ou seja, a UPH da zona oeste atende exclusivamente crianças, enquanto a unidade da zona norte é voltada somente para adultos.

Outra proposta que Crespo prometeu cumprir em curto espaço de tempo foi a retomada do atendimento 24h, todos os dias da semana, no Pronto Atendimento (PA) do Jardim São Guilherme, que desde março de 2016 atende casos de emergências e urgências médicas, de segunda a sexta, somente das 19h às 7h. Aos sábados e domingos a unidade funciona em período integral.

Prefeito explica

A assessoria de imprensa da Prefeitura, em nota enviada ao Cruzeiro do Sul, informou que “existe compromisso de campanha e a disposição por parte do prefeito José Crespo e de sua equipe em reorganizar o funcionamento das Unidades Pré-Hospitalares, garantindo a retomada de atendimento tanto de adultos quanto de crianças nas unidades”.

A nota acrescenta: “Mas o prazo estipulado inicialmente não foi cumprido devido a situações adversas que surgiram desde a posse, como a troca de secretários na Saúde, o surgimento de dívidas de outubro e novembro deixadas pela administração passada e a identificação de um déficit de quase R$ 30 milhões no orçamento. Em razão desses problemas, o planejamento inicial teve de ser atrasado, mas será cumprido em breve.”

Em discussão

Desde que Crespo assumiu o Executivo em Sorocaba, as UPHs norte e oeste e os PAs do Jardim São Guilherme e Parque das Laranjeiras, estão sob administração de Francisco Alcoléa, funcionário da Secretária de Saúde de Sorocaba desde 2015. Alcoléa é bacharel em direito e tem formação na área de marketing. Segundo ele, que recebeu a reportagem do jornal Cruzeiro do Sul na UPH oeste, todas as mudanças no horário de funcionamento e faixa etária para atendimentos ainda estão em discussão.

De acordo com Alcoléa, o funcionamento do PA São Guilherme 24h está sendo estudado, porém, as indefinições que ocorreram na Secretaria de Saúde e mudanças de titular na pasta dificultaram o processo. Segundo o administrador, é mais viável e deve acontecer de forma mais rápida a ampliação do atendimento na UPH norte. “Será mais simples atender também as crianças na UPH norte. Já a UPH oeste deverá ficar por mais tempo atendendo apenas infantil”, calculou. O administrador destacou que os atendimentos segmentados por faixa etária ainda não têm uma data definida para chegarem ao fim e disse que a mudança é indiferente para a gestão. “Se houver essa alteração, precisaremos aumentar as equipes. Precisaremos de pediatras para a zona norte, pois hoje quase todo o quadro de pediatras fica centralizado na oeste.” Ao todo, segundo Alcoléa, são 38 médicos pediatras que atendem na unidade infantil.

Ele destacou que a UPH oeste tem toda a estrutura necessária para atender crianças, desde os medicamentos até os leitos, com berços. Na zona norte, Alcoléia reconhece a necessidade de voltar a ter atendimento infantil. Para isso ele aponta a recomendação de um chamamento para médicos e também contratação e ampliação nas equipes de enfermagem.

Queixas dos pacientes e dos acompanhantes são frequentes nas unidades

Maria Madalena Jacob, 32, que trabalha com limpeza geral, levou o filho de 15 anos até a UPH da zona norte na manhã de ontem. Ela reclamou do não funcionamento do PA do Jardim São Guilherme. “Moro ao lado desse PA, mas tive que pegar ônibus para trazê-lo até aqui porque lá estava fechado.” A trabalhadora também se queixa de não ter atendimento infantil nas unidades próximas a sua casa, pois tem outros dois filhos, de seis e nove anos, e quando precisam de médico, é necessário cruzar a cidade. “Seria bom se ele (Crespo) cumprisse o que prometeu, pois muitas pessoas votaram nele porque disse que resolveria o problema da saúde.”

A dona de casa Ana Aranha, 37, tem a mesma queixa, pois quando o filho de um ano e nove meses precisa de atendimento, ela tem que se deslocar da Vila Helena até a avenida General Carneiro de ônibus. Noel Nilson de Lima Santos, 28, mora no mesmo bairro que Ana e também é favor da mudança nas unidades, pois assim os atendimentos seriam mais rápidos. Com formigamento nas pernas, Noel passou por triagem no UPH norte, mas ficou recebendo a medicação em pé, encostado na parede de um dos corredores da unidade, porém se sentiu mal e pediu para passar novamente com o médico. Irritado com a negativa, o pedreiro deixou o local apenas com um curativo. “É muito descaso com a população”, reclamou.

Andreia Mattezi, 45, também reclamou da demora nos atendimentos. Na noite de domingo ela levou a filha de 23 anos até a UPH da zona leste, atualmente administrada pelo Banco de Olhos de Sorocaba (BOS), mas depois de aguardar mais de três horas, as duas desistiram do atendimento. “Ela está com caxumba, se sentindo muito mal e não passou nem pela triagem”. Na manhã de ontem mãe e filha foram até a unidade da zona oeste e aguardavam uma medicação. “Todas as unidades deveriam atender todas as pessoas”, opina Andreia.

Raquel Luzia Pereira, 36, precisou se deslocar do bairro George Oetterer, para levar o filho de sete anos até a UPH oeste. “O atendimento aqui é muito bom, mas é muito longe, então seria melhor se as duas UPHs fossem para criança e adulto.”

Contra alterações

Já Mônica Bianca Santos, 30, que mora na região central, é contra a mudança e defende o atendimento segmentado por faixa etária. “Acho que as crianças precisam ser priorizadas e sem misturar com adulto”, opina. Elaine de Lima Barreto, 27, reside no bairro Wanel Ville e também prefere a forma atual de atendimento: “Criança precisa mais de médico e é importante um local específico.”

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